domingo, 16 de fevereiro de 2025

46°_46′_N,_23°_35′_L

Vampira Transsylvanæ (uma minissaia, um top faixa, um tênis fudido, um andar medroso), nas ruas do Arrouche. Acena para Paris Hilton (um shorts velho estampado com frutas desconhecidas e folhas ordinárias, uma blusa que lhe cobria a sagacidade, um óculos de moda enchaquecuosa, um chinelo de um homem viciado que já se foi), andando junto ao seu amor (nu ele estava). 

Vampira Transsylvanæ, de coleira dada ao Satã. Descia a rua Aurora, viciada em acenar, viciada em sorrir e viciada na branca. Triste destino do homem viciado, filho de caça-às-bruxas. 

Nobre destino de um amor misterioso.

Vampira Transsylvanæ, imersa em sua inveja ao ver o homem nu (uma camiseta do The Doors, uma calça, um cinto furado e mais nada).

Degustava seu sangue que pingava, e pingava mais. Jorrava e ela bebia (no meio da cozinha). Abraçada nas pernas de um amante quase eterno, no limite da frágil e insensível mortalidade dos homens.

Vampira Transsylvanæ, eterna morta, morria novamente, e de novo, e mais uma vez. Afundando no sangue de seu próprio vício doentio. Vício em poesias sem concordância, escritas ao choro e prantos de um sentimento que não mais havia.

Vampira que não sente e não chora. Anda quietamente, seduz, nunca mais volta. Ela não olha eles, seu olhar tem destino (um Dart da Oakley, bolsa da Miu-miu, casaco dupla-face da Planet Girls, um mizu branquíssimo).