ás vezes um pacote de nestit e um cigarro é almoço
e três transas na sala de estar é janta
Vampira Transsylvanæ (uma minissaia, um top faixa, um tênis fudido, um andar medroso), nas ruas do Arrouche. Acena para Paris Hilton (um shorts velho estampado com frutas desconhecidas e folhas ordinárias, uma blusa que lhe cobria a sagacidade, um óculos de moda enchaquecuosa, um chinelo de um homem viciado que já se foi), andando junto ao seu amor (nu ele estava).
Vampira Transsylvanæ, de coleira dada ao Satã. Descia a rua Aurora, viciada em acenar, viciada em sorrir e viciada na branca. Triste destino do homem viciado, filho de caça-às-bruxas.
Nobre destino de um amor misterioso.
Vampira Transsylvanæ, imersa em sua inveja ao ver o homem nu (uma camiseta do The Doors, uma calça, um cinto furado e mais nada).
Degustava seu sangue que pingava, e pingava mais. Jorrava e ela bebia (no meio da cozinha). Abraçada nas pernas de um amante quase eterno, no limite da frágil e insensível mortalidade dos homens.
Vampira Transsylvanæ, eterna morta, morria novamente, e de novo, e mais uma vez. Afundando no sangue de seu próprio vício doentio. Vício em poesias sem concordância, escritas ao choro e prantos de um sentimento que não mais havia.
Vampira que não sente e não chora. Anda quietamente, seduz, nunca mais volta. Ela não olha eles, seu olhar tem destino (um Dart da Oakley, bolsa da Miu-miu, casaco dupla-face da Planet Girls, um mizu branquíssimo).
porque eu te olho e você me olha de volta
porque fudemos muito
porque comemos muito
porque você entra na minha cabeça toda vez que está perto e
porque faz falta quando tá longe
porque eu não quero chorar, mas quando choro, você me acolhe em seus braços
porque eu amo seus braços
porque eu amo suas pernas
porque eu amo sua barriga e também sua-
porque não quero nunca te fazer mal
porque viajamos para uma colônia de férias de barro, madeira e aço toda vez que nos tocamos
porque o tempo passa devagar quando estou te olhando
porque o tempo me trai quando não
porque eu te amo
porque não há futuro, a não ser aquele em MG que estamos construindo bloco a bloco em uma dupla de neurônios cansados
porque quero cuidar de você, e você cuida de mim tão bem e tão gostoso
porque amo seu pé, seus dedos, sua boca
porque, principalmente, amo sua boca
porque minha mão chora se não enxugada cuidadosamente pela sua
porque sua delicadeza me faz sorrir
porque sua sobriedade me faz pensar
porque seus sonhos me faz agir
porque seus toques me faz amar
e amo rindo
amo gritando
amo gemendo
e amo gozando.